sábado, março 28, 2015

O albergue

Já era 10 horas da manha quando olhei para o visor do celular. Tive a noite mais tranquila dos  últimos 5 dias na terra do Tio Sam. Como as nuvens de algodão, foi o meu sono.
O sol iluminava as beliches de madeira rústica ao meu redor. Ao lado da janela, o espanhol arrumava tranquilamente a sua bagagem, provavelmente iria embora logo.  À esquerda, um rapaz aparentemente de origem árabe roncava estrondosamente - ao qual havia me despertado diversas vezes na madrugada - tentei colocar o travesseiro para abafar um pouco o barulho.
Click click..- era o Inglês teclando em seu smartphone. Olhei para cima, e seus olhos continuavam esverdeados como a sua manta. '' Good Morning, Jackie'', '' Good Morning, Sam!''.
Ainda estava deitada. Minhas pernas continuavam exaustas ao qual mal podia esticá-las mas, era hora de partir. O voo para Orlando seria as 16h e, ainda tinha 3 horas para perambular da Grand Central ate  a ponte do Brooklin.

Jacqueline Moraes

quinta-feira, março 19, 2015

Cartas fluídas


Superficiais, como o ar poluído
sem mais, no ruído.

Cartas, se tornaram tao superficiais
ao ouvir nos ouvidos, dos oficiais.

A porta de abriu, uma postagem
aos meus pés, na passagem.

Jacqueline Moraes

sábado, março 07, 2015

Os anjos da praça


Discípulos de Deus,
eis que estão nas praças
da vida;
na central, da esquina, ali pertinho.

Mendigos, vendedores de chiclete
ou de artesanato.
São eles, os mais sábios 
que pude conhecer. 

Toda praça tem um,
por isso não os despreze.

Os anjos, enviados por ele.

Jacqueline Moraes

Agitado como o mar

Bambaleávamos pela praia; o mar estava agitado. Pude sentir seus batimentos cardíacos ao lhe puxar pelo pulso. Seus olhos reluzavam mistério, adrenalina e aventura; eram sintomas de uma alma ansiosa e curiosa.
Aquela garrafa azul com uma arquitetura típica de boteco, mesmo sendo importada do México, estava nos esperando.
A primeira dose foi minha - como manda a tradição - o segundo; dele. E assim degustamos a metade da garrafa.
O dia estava ensolarado, por isso senti o mormaço do litoral queimando minha pele e penetrando a alma; mistura de álcool e calor.
Tirei o vestido, e me joguei no mar.
Seus olhos, encaravam os meus - flete - desviei.
- Vou dar um mergulho.
-Take care.

Com a maré alta, a areia foi me puxando para baixo; não sentia frio e nem calor. Era como se estivesse em uma olimpíada de mergulho e sedução. O cavalheiro importado, me salvou.

Jacqueline Moraes

Simples


O distante, é aqui
perto, esta longe.

O que era superficial, agora é simples
Simples, é hoje.

Por mais que o tempo passa,
me isolo nesse casulo,
mundo.

Mas pra que? 
por mim, por ela, por você.

Jacqueline Moraes