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terça-feira, outubro 07, 2014

Contarei para os meus netos!


Preto, branco, ou azul. Qualquer coisa seria viável naquela noite. Minha intuição gritava: vai em frente. Costumava passar meus finais de semana pro aí, sem destino, o importante era estar com os amigos, mas na maioria das vezes, eu acabava ficando sozinha.
Era verão, quando chegamos em New York City, estava um pouco nervosa. Afinal, dirigir numa big city com seus chefes, não é muito agradável.

Na rua da Penn Station Street,  Mayara foi verificar a reserva do Hotel. De repente, vi pessoas gritando desesperadas, baixei o vidro, minhas pernas começaram a tremer.

- U can't stop here! GO, GO OUT!
-What?  sorry I'm not live here. - I said.
- Just go out! - Someone yealled me.
Fiquei desesperada, pensei que eu poderia ser presa. Afinal, você é preso por qualquer coisa nos Estados Unidos. Mas deu tudo certo, apesar que, policias começaram a me cercar, somente por ter parado na faixa amarela em frente ao hotel. Por um momento pensei que eu estava no Brasil.

Jump, Jump. Nos sentimos assim, quando entramos no quarto. Três brasileiras num hotel sozinhas, ia ser um pouco preocupante. Não por elas, mas eu estava completamente agitada.
Bom, naquele dia eu não queria pensar em mais nada, quando ia na City, os obstáculos desapareciam e a paz reinava  meu peito. Queria ter experimentado diversos restaurantes, mais como toda brasileira cômoda, tudo terminava em Mc Donald's.

[ Meus amigos me descrevem como "louca", pela vida ou por eu ser eu mesma. Outros dizem, que eu deveria ser jornalista, ou fotografa. ]

Convenci minhas amigas que iriamos fazer a festa de despedida da Mayara em alguma Party na cidade. Uma delas precisava de um vestido para a night, andamos por quase 3 horas, enfim, encontramos! Depois do cansaço fui me deliciar no Dunkin' Donuts, aproveitei e levei mais 5 para a viagem.
É muito engraçado se arrumar com suas amigas, mulheres são divertidas. Mesmo querendo ser práticas, conseguem sempre tornar as coisas mais complicadas. Que roupa eu vou? Batom vermelho ou vinho?. Mas elas não eram assim, alias, como agradeço por ter as conhecido. Naquela noite eu estava completa, não precisava de mais nada.

- Taxi!!!- gritei na rua. Entramos tagalerando em Português.
- Para onde vão? - Disse o Taxista.
- Vamos para 39 E 58th St Please! - eu disse.
- 7 dólares.

Elas não conheciam baladas na cidade, indiquei a Lavo. Ficamos na fila por quase 20 minutos, e decidimos ir para outro lugar. "Marquee", foi a escolhida. Pegamos um táxi. É incrível como tem "otários" em todos os lugares, mas eu tenho certeza que aquele taxista era Indiano. Começou perguntar para Karen sobre o perfume dela, como uma doce mulher respondeu com muita educação. Então, comecei a ficar nervosa, pois eu sabia as intenções daquele homem e aonde isso poderia chegar. Costumo ser muito educada com todos, mas nesse momento, comecei alerta-las em Português sobre o perigo que poderíamos passar. Após alguns segundos, o embriagado quase bateu o carro. Começou a dirigir em ziqgue zaque, ficamos com medo e então comecei a xingar na minha língua nativa. Optei por pular do carro, elas não tiveram coragem. O indivíduo começou a falar que éramos" good". Não tenho paciência para homens,  tive que ser grossa e falar que namorada das  minhas amigas. Chegamos salvas.
Marquee é considera uma das baladas mais populares de Nova York, portando, eu já espera uma fila gigantesca. Como eu já estava meio nervosa, deixei minhas amigas na fila e fui para uma vip, meu plano era encontrar uma fila menor. Tinham 3 Canadenses na minha frente, estavam conversando sobre a ultima viagem que fizeram no Caribe, quando de repente, olharam pra mim...
- Hi there how are you? Where are you from?
- I'm from brazil, why?
- Sorry, cause are u looks like very diferente - he said.

Eu tinha entendido, na visão dos homens, nós brasileiras somos privilegiadas pelas curvas. Começamos a conversar, quando um deles disse que iria entrar na festa sem pagar, pois era amigo do dono. Me convidaram para entrar com eles, agradeci e fui. Gritei para as minhas amigas.
- Meninas, me siga, venham logo!!! Mas fiquem caladas. - Gritei rezando para não ter nenhum brasileiros ouvindo.
- Mas o que esta acontecendo? Como você conseguiu passar na frente de todos e ainda, sem pagar? - Mayara questionou.
- Simples, seja cara de pau!

Os rapazes era muito bonitos, mas a minha intenção era apenas me divertir, e não "pegar" alguém. Assim que entramos, as puxei pelo braco e caímos na multidão. Deu certo, não os vimos mais naquela noite. Como tínhamos entrado vip, poderíamos beber sem pagar por nada.
Em menos de 15 minutos eu já estava bêbada. Não lembro o que bebi, peguei as garrafas e brinquei de ser ''bar men". Minhas amigas não eram tão loucas quanto a eu, senti as levando para o mal caminho. Mas era uma fase, eu precisava daquilo naquele momento. Longe do meu país, enfrentando uma vida complicada nos EUA.
Dancei a noite inteira, conversei e filosofei com pessoas de diversos países. As mulheres como sempre, me matavam com os olhos. Os homens, me paqueravam. Mas eu só queria conversar e nada mais além disso. Lembro vagamente daquela noite, nunca bebi tanto como naquele noite.

- Jackie, já são 2h30 e estamos cansadas. Vamos embora?
- No Way! Está muito cedo, vou ficar ate fechar. Não se preocupem eu sei me virar, quer que eu repita o endereço do Hotel?
- Mas você não esta bem, esta dançando desde que chegamos.- Mayara disse preocupada.
- May - Disse a Karen - Ela sabe se virar tenho certeza, vamos embora ela tem o nosso telefone, se algo acontecer ela vai nós ligar.

Karen estava certa, ja tinha lhe dito que, se caso quisessem ir embora, eu ia me virar. Me lembro quando algums pessoas me chamaram para ser DJ da festa e me pediram para sambar. WTF!
Algumas horas depois, estava no sofá escrevendo meus versos no celular. Quando um segurança desagradável disse.

- Time to go! GO, GO ,GO!
- Okay, I'm going Filha da*&&¨.

Não senti medo, eu ainda lembrava o endereço do hotel. Fui pra fora, filosofei com um Belga que pediu o meu facebook, e hoje somos amigos. O pessoal que tinha saido da party me disseram ''Bye Bye'', é, fiz amizade com todo mundo da festa.
Peguei um taxi, disse o endereço e já fui ameaçando se caso ele fosse dar em cima de mim. Era para ser apenas 3 dólares de gorjeta, me roubou 2 obamas, então acabou sendo 5 dólares. Cheguei no Hotel, dizendo Good Morning para todos às 5h30 da manhã.
Fiquei aflita quando apertei o botão do elevador - sera que ainda lembro da porta do quarto?.  Entrei no Elevador, e tinha um Mexicano que não falava inglês. Como todo homem bêbado e fdp, começou a dar em cima de mim. Como eu estava um pouco alegre, disse a ele que trabalhava na FBI e se caso ele tentasse me abusar, eu cortaria o pinto dele. Sim, eu disse isso em Espanhol. Mesmo não sabendo espanhol, uma Colombiana que conheci na festa me ensinou algumas palavras, foi o suficiente para me defender. Mas, não lembro mais nada em Espanhol.
Por sorte, não me perdi nos corredores. Abri a porta, e minha amiga:
- Essa é hora de chegar mocinha?

Já disse que me sentia em um filme nos EUA?
- I just want to eat some donuts and sleep. Good night!

Jacqueline Moraes

sábado, setembro 27, 2014

Viaje e você será uma pessoa melhor!

As pessoas sempre me perguntam como viajar mudou a minha vida. Se eu olhar pra trás e ver como eu era antes das minhas viagens, e comparar com a pessoa que sou atualmente, eu diria que viajar certamente me fez uma pessoa muito melhor e mais centrada. Me considero muito mais interessante e descolado agora do que quando eu tinha meus 20 e poucos anos. Simples assim, minha evolução como pessoa nos últimos 5 anos foi gigantesca.


De fato, eu acho que viajar faz com que qualquer pessoa se torne muito mais atrativa. Todos nós terminamos nossas viagens muito melhores do que quando as começamos. É do princípio humano aprender com cada experiência vivida. Não estou dizendo isso para parecer convencido ou egocêntrico; estou dizendo isso porque eu acredito que viajar é algo que te faz não só um ser humano melhor, mas alguém acima da média também. Mas, você deve estar se perguntando: "Como e por que viajar te faz uma pessoa muito melhor?" Deixe-me lhe contar então o porque penso desta maneira.
Mais social - É tudo ou nada quando se está viajando. Ou você começa a fazer amigos ou irá terminar sua viagem completamente solitário, chorando sozinho todas as noites em seu travesseiro. Você aprende a fazer amigos que antes eram meros estranhos e se torna mais confiante ao falar com novas pessoas. Quando eu comecei a viajar, me considerava muito tímido e dificilmente iniciava uma conversa com algum estranho. Hoje em dia, eu conversaria com um estranho como se fossemos amigos de longa data.
Papos mais cabeça - Viajar não só te faz mais seguro ao conversar com estranhos, como também te faz ter uma conversa mais agradável. Após conversar com tantas pessoas "na estrada", repetindo sempre as mesmas questões, você começa a se sentir um pouco entediante. Depois de um certo tempo, você não quer saber mais de que cidade ou país tal pessoa é, por quanto tempo já estão na estrada, e bla bla bla. Este tipo de conversa, na verdade, não acrescenta em nada. Você se tornará melhor em desenvolver conversas corriqueiras e a fazer questões mais interessantes - questões que realmente valem a pena e que te contam um pouco mais sobre a pessoa com a qual está conversando.
Mais confiante - Você viajou o mundo. Caminhou sobre a Muralha da China, passeou com tigres e elefantes na Tailândia, comeu polvo-vivo na Coréia do Sul, bebeu sangue de cobra no Vietnã, aprontou coisas da qual nem se lembra em Amsterdam e Las Vegas, conheceu todo o romantismo de Paris com sua namorada francesa e venceu o seu medo de altura saltando de paraquedas no Arizona. Ou seja, você fez coisas incríveis na sua vida. Como você não vai se sentir mais confiante depois disso tudo? Como você vai duvidar de suas habilidades? Depois de ter conquistado tantas coisas, você se sentirá muito mais confiante na sua habilidade de realizar qualquer coisa que esteja disposto a fazer.
Mais versátil - Você já teve que lidar com voos perdidos, ônibus vagarosos, caminhos equivocados, atrasos, intoxicação alimentar devido aquela comida de esquina, e muito, muito mais. Depois de um tempo, você aprende a se adaptar as situações inesperadas. Você não se irrita, você não fica nervoso, você simplesmente altera seus planos e continua seguindo em frente. A vida te dá limões e você faz limonadas. Por que? Porque você se torna um ser humano muito melhor a cada viagem.
Mais aventureiro - Quando você acredita mais em seu potencial para fazer algo, você se torna capaz de fazer qualquer coisa. Quando estive na China, estava passeando pelas ruas de Beijing e vi estas barraquinhas de comida vendendo iguarias grotescas como escorpião, grilo, centopéia e mais. Resolvi experimentar um de cada, por que? Porque era uma experiência nova e sinto que não há nada que eu não possa fazer.
Mais despreocupado - Todos aqueles erros? Serviram para alguma coisa no final. Eles te tornaram uma pessoa mais relaxada e tranquila. Por que? Porque você resolveu todos os problemas ocorridos durante suas aventuras, e agora você nem se importa mais que eles tenham ocorrido. Você aprende a seguir o fluxo, porque se tem uma coisa que viajar te ensina; é que no final tudo dá certo e não há necessidade nenhuma de se estressar.
Mais sexy - Stress envelhece pessoas. Aqueles dias despreocupados, relaxantes e no-stress na estrada farão de você uma pessoa mais confiante, radiante e jovem. Você, de fato, terá uma aparência mais jovem e sexy. Como dizem por aí, você será como vinho; "quanto mais velho, melhor".
Mais esperto - A menos que você seja daqueles viajantes que sentam a beira da piscina se afogando em coquetéis, viajar com certeza lhe ensinará muito a respeito do mundo em que vivemos. Você aprenderá sobre novas culturas, história, pessoas e enigmas sobre lugares que certas pessoas nem sonhariam a respeito. Em resumo, você compreenderá melhor como as coisas funcionam e como as pessoas se comportam em diferentes sociedades e culturas. E acredite, isso é algo que não pode ser aprendido em livros; você só terá esta visão depois de por o pé na estrada.
Menos materialista - Na estrada, você aprenderá a dar valor somente aquilo que você realmente precisa. Você perceberá que todas essas quinquilharias vendidas em shopping centers são inúteis no que diz sentido a ter uma vida realmente feliz. De volta pra casa, você descobrirá o quão simples você pode ser, separando as coisas que você precisa pra viver e o que você não precisa. No final, você finalmente descobrirá que quem possui as coisas é você, e não o contrário.
Mais feliz - Viajar simplesmente te ensina como ser feliz. Você se sentirá mais tranquilo, mais confiante, e a ver o mundo como um lugar melhor para se viver. Como você não se sentirá feliz tendo esta opinião?Pense um pouco sobre os famosos e celebridades ao redor do mundo. Quantas destas qualidades estas pessoas possuem? Todas. Por que? Porque ser mais extrovertido, engraçado, sociável, feliz, confiante, sexy e esperto são as qualidades que pessoas de sucesso precisam em seu cotidiano.Viajar faz humanos, pessoas muito melhores. Quando você aprende mais sobre o mundo em que você vive e as pessoas que o habitam, você derruba fronteiras, experimenta coisas novas, você se torna mais aberto, extrovertido, e um ser humano melhor.
Todas as pessoas que conheci na estrada são pessoas melhores, por causa disso. Com todas as razões e motivos apresentados acima de como viajar pode te tornar uma pessoa melhor, não faz sentido você ficar aí parado e não começar a planejar uma viagem agora mesmo - quer seja uma volta ao mundo ou um fim de semana em algum lugar, no qual você nunca esteve antes, dentro de suas possibilidades financeiras é claro.Você pode ficar sentado em casa, desejando que você tivesse outra vida ou estivesse em outro lugar, se divertindo, e fazendo algo realmente legal. Ou você pode arregaçar as mangas e mudar a sua vida a partir deste momento! A escolha é sua!
Texto redigido por Vitor Oliveira e Mayke Moraes (Equipe 1000D)
Mayke Moraes: Sou um mochileiro que esta na estrada desde 2008. Morei por dois anos no Alasca (EUA) e por quatro em Dublin (Irlanda). Sempre trabalhando muito e juntando dinheiro pra pagar minhas despesas. Já visitei 43 países e não descansarei enquanto não pisar em 100 nações. Compartilho essas aventuras em minha página (facebook.com/1000dadm), assim como várias dicas de como viajar barato, para as pessoas que erroneamente acreditam que é preciso ser rico pra conhecer o mundo.

quinta-feira, setembro 25, 2014

Namore um homem que viaja

Namore um homem que viaja. Namore um homem que valoriza a experiência ao invés de videogames, uma pulseira de tecido feita à mão ao invés de um Rolex. Namore um homem que pula de alegria quando ouve as palavras “férias”, “tudo incluso” ou “resort”. Namore um homem que viaja porque ele não é levado por um único objetivo, mas sim por vários.
Você pode encontrá-lo em um aeroporto ou em uma livraria olhando os guias de viagem – embora ele só os “usa como referencia”.
Você saberá que é ele porque quando você der uma olhada na tela do computador dele, o plano de fundo será um esplêndido cenário de colinas, montanhas ou bandeiras de oração. A quantidade de amigos no Facebook dele será enorme e sua timeline estará repleta de mensagens de seus amigos dizendo “saudade”, amigos estes que ele conheceu ao longo de sua jornada. Quando ele viaja, ele faz amigos para uma vida toda em apenas uma hora. E embora o contato com esses amigos seja esporádico e eles estejam distantes, suas fronteiras são sem limites e se ele quisesse, ele poderia viajar o mundo apenas se hospedando nos sofás da vida por aí... de novo.
Pague uma cerveja a ele, talvez da mesma marca da regata que ele usa por baixo da camisa xadrez. Quando um viajante chega em casa, as pessoas raramente ouvem suas histórias. Então ouça as dele. Talvez ele fale rápido e perca alguns detalhes, mas é porque ele fica muito animado ao ser ouvido. Embarque no entusiasmo dele. Queira isso para si mesma.
Ele vai pular de alegria como uma criança quando a última edição da National Geographic aparecer em sua caixa do correio. Então ele vai ficar quieto, absorto nas imagens até que ele termine de analisar cada foto, cada aventura. Na cabeça dele, é como se ele estivesse lá, naquelas fotos. Ele vai passar a revista para você e, querendo competir, vai te perguntar qual foi a sua maior loucura. Diga a ele. E saiba que ele provavelmente ganhará de você. E se, por acaso, você ganhar, saiba que a próxima meta dele será te superar. Mas aí ele vai dizer: “talvez a gente possa fazer isso juntos”.
Namore um homem que conversa sobre lugares distantes, cujas mãos tenham explorado as ruínas de civilizações antigas e cuja mente tenha imaginado aquelas mãos cavando, esculpindo e pintando as maravilhas do mundo. E quando ele conversa, é como se ele estivesse revivendo isso com você. Você pode quase ouvir as batidas do coração acelerado dele. Você pode quase sentir a adrenalina do momento. Você sente isso passando através de seus neurônios, um banquete para seus olhos entrando através daqueles minúsculos oráculos que chamados de pupilas, digerindo rapidamente através de suas veias, manifestando-se pelo seu sistema nervoso, transformando e alterando a visão do mundo como um trauma reverso e finalmente passando, mas eternamente mudando as cores da paisagem. Você vai desejar isso tudo pra si também.
Namore um homem que tenha vivido com uma mochila porque ele vive mais feliz com menos. Um homem que viaja viu a pobreza e já jantou com aqueles que vivem em um pequeno barraco sem água e ainda assim recebem com boas-vindas os desconhecidos com mais hospitalidade que os ricos. E porque ele viu isso, ele tem enxergado como a vida sem luxo pode significar uma vida alimentada por relacionamentos e família, ao invés de uma vida regada de carros de luxo e ego. Ele experimentou diferentes maneiras de ser, ele respeita religiões alternativas e olha para o mundo com os olhos de uma criança de cinco anos de idade, curioso e com fome. Seu pai ficará feliz também porque ele é bom ao lidar com dinheiro e baixo orçamento.
Este homem aprecia o lar, o conforto de um edredom, a segurança de um tempero de mãe, a conversa fácil de amigos de infância, e a glória imaculada de um banheiro com descarga que funciona. Embora super independente, ele teve tempo para refletir sobre si mesmo e seus relacionamentos. Apesar de seu desejo de viajar, ele conhece e aprecia seus laços com o lar. Ele teve a chance de sentir saudade e de sentirem saudade dele. Por conta disso, ele também entende uma coisa ou duas sobre despedidas. Ele sabe como é ruim a incerteza de sair do conforto de casa, o "até logo" indefinido nos portões de embarque, e ainda assim ele vai sem medo para o desconhecido, porque ele conhece o sentimento de retorno. E que o abraço de saudade é o melhor tipo de abraço do mundo. Ele também sabe que as despedidas são apenas prolongados "até-logo" e que "olá" é tão longe quanto a lan house mais próxima.
Não segure este cara. Deixe ele ir e vá com ele. Se você ainda não viajou, ele vai abrir seus olhos para um mundo além das notícias e da percepção popular. Ele abrirá seus sonhos a possibilidades e realidade. Ele vai te tranquilizar quando você estiver prestes a perder um voo ou quando o pneu do seu carro alugado furar, porque ele sabe que a jornada é que é a aventura. Ele vai fazer graça dos ruídos desagradáveis ​​que você vai fazer se pegar uma intoxicação alimentar. Ele vai fazer você rir do desconforto e ao mesmo tempo vai enxugar sua testa com um pano frio e tentar te curar com água engarrafada. Ele vai fazer você se sentir como se estivesse em casa.
Quando vocês verem alguma coisa bonita, ele vai segurar a sua mão em silêncio, maravilhado pelo lugar onde seus pés estão neste momento e pelo fato de você estar com ele.
Ele vai viver cada segundo intensamente com você porque é assim que ele vive a vida dele. Ele entende que a felicidade nada mais é do que uma série de momentos espontâneos e ele está determinado a viver estes momentos com você o máximo que ele puder. Ele também entende que você precisa ter seus momentos sozinha e que você tem a sua própria lista de sonhos a realizar. Entenda a dele também. Entenda que seus objetivos podem ser diferentes em certo ponto, mas essa independência é a base de uma relação saudável quando ela é mutuamente respeitada. Você pode perdê-lo por um tempo, mas ele sempre vai voltar para a casa trazendo uma história nova ou uma lembrancinha que ele comprou porque aquilo fazia ele lembrar de você, como se aquilo fosse feito especialmente para você e porque ele simplesmente sentiu sua falta. Talvez você se sinta obrigada a fazer o mesmo. Mas garanta que independência está na sua lista e certifique-se que ela está sendo cumprida. A independência manterá sua relação nova e excitante e quando vocês estiverem juntos de novo, isso vai estabelecer um vínculo de confiança inquebrável.
Ele vai te pedir em casamento quando você estiver fora de sua zona de conforto, seja com medo de saltar de paraquedas ou mergulhar com os tubarões, ou até mesmo sentada ao lado de uma pessoa com um odor nada agradável em um ônibus lotado. Não será com um anel de diamante, mas com um anel feito por uma cultura nativa ou inspirado pela natureza.
Você vai se casar em algum lugar incomum, rodeada de poucas pessoas, mas selecionadas, em um momento construído para celebrar a aventura do desconhecido, juntos novamente. Case-se com o homem que viajou o mundo e juntos vocês farão do mundo a casa de vocês. Sua lua-de-mel não será esquecida por ter tido um jantar típico e open-bar na praia, mas será lembrada com magníficas fotos no topo do Kilimanjaro e imortalizada na dor gratificante dos músculos no final de um longo dia de caminhada.
Quando vocês estiverem prontos, vocês terão seus filhos com nomes de personagens que vocês encontraram durante suas viagens, nomes estrangeiros de pessoas que cavaram um lugar especial em seus corações mesmo que por apenas alguns dias. Talvez vocês morem em algum outro país e seus filhos aprenderão um novo idioma e costumes que abram suas mentes desde pequenos. Ele irá apresentar às crianças os livros de Hemingway, a jornada de Santiago, e encorajá-los a viver muito mais do que vocês dois.
Case-se com um homem que viaja e ele ensinará suas crianças sobre a beleza de uma pedra solitária, a história dos Incas e ele vai instigar neles a coragem. Ele vai explicar a eles que mascarar as oportunidades é medo e fará com que ele concordem com isso.
E quando vocês estiverem velhos, vocês se sentarão com seus netos com o álbum de fotografias no colo enquanto eles se transportam para dentro das fotografias, maravilhados pela beleza do mundo e inspirados por tudo o que vocês viveram.
Encontre um homem que viaja porque você merece uma vida de aventuras e possibilidades. Você merece viver de forma leve a abraçar a simplicidade. Você merece olhar para a vida através dos olhos da juventude e com os braços bem abertos. Porque é aí que você encontrará a alegria de viver. E melhor ainda, vocês encontrarão isso juntos. E se não encontrar este cara, viaje. Vá. Abrace isso. Explore o mundo por você mesmo porque a realidade é feita de sonhos.
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quarta-feira, setembro 10, 2014

Top 5 Rafting




Brotas (SP)
A descida de 6km pelo rio Jacaré-Pepira, dura certa de três horas, incluindo corredeiras de níveis três e quatro em meio a mata nativa. O rio não oferece dificuldade: a descida é indicada para maiores de nove anos.
Onde Ficar: Brotas EcoResort

Santo Amaro da Imperatriz (SP)
O rio Cubatão do Sul oferece excelentes corredeiras. O rafting é praticado em meio a um cenário de montanhas recobertas por mata atlântica.
Onde Ficar: Plaza Caldas da Imperatriz Resort

Rio Novo (Jalapão)
Em um dos últimos rios potáveis do mundo, é possível desfrutar desde uma descida tranquila de três horas, ate um intenso rafting de quatro dias em uma região selvagem.
Onde Ficar: Safari Camp Korubo

Itacaré
O rio de Contas nasce na Chapada Diamantina e percorre cerca de 650 km ate chegar aos cânions de Taboquinhas( distrito de Itacaré). Lá, os níveis variam de três a cinco horas.
Onde Ficar: Pousada Burundanga

Foz do Iguaçu
O trajeto do rafting nas cataratas começa a p[e no Parque Nacional e segue em 2 km de corredeiras de nível médio (3+) e outros dois de aguas calmas, onde é possível nadar e fazer flutuação.
Onde Ficar: Recanto Park Hotel

Jacqueline Moraes

 

segunda-feira, agosto 11, 2014

Como viajar sem grana


Colocar uma mochila nas costas e cair na estrada em busca de caronas que o levem para os lugares mais incríveis é uma maneira de viajar de graça. Mas não é a única. A tecnologia possibilitou outras formas de conhecer o mundo sem gastar dinheiro — ou, ao menos, desembolsando muito pouco.
Hoje já é possível encontrar hospedagem gratuita pela internet ou até pedir um financiamento coletivo para a sua viagem. Há, ainda, a opção de se engajar em uma causa social ou usufruir de milhas aéreas acumuladas. Conheça abaixo algumas dessas alternativas, veja qual tem mais a ver com o seu perfil (talvez você una mais de uma delas) e programe as suas próximas férias.

Trocar de casa
Alguns sites reúnem pessoas dispostas a ceder a casa e que, literalmente, trocam seus endereços por um tempo. O intercâmbio pode ser simultâneo ou não. Ou seja, você pode ocupar a casa do hóspede enquanto ele se muda para a sua. Mas também é possível ceder a estadia e obter um crédito para uma futura hospedagem na casa do seu atual convidado, num período acordado com ele.

O Home Exchange é o site mais famoso do ramo, disponibiliza mais de 50 mil casas, em 150 países, e possui versão em português: o Troca Casa (www.trocacasa.com). Para se cadastrar, é preciso pagar uma anuidade de US$ 9,95 e detalhar as características da sua residência, com fotos, inclusive. Caso você não realize nenhuma troca no primeiro ano, o site oferece mais um ano gratuitamente.
Em 2013, a Universidade de Bergamo, na Itália, realizou um estudo com sete mil membros da rede de troca de casas e apontou que 93% deles ficaram satisfeitos com a experiência e 75% qualificaram como confiável a pessoa com quem trocaram de endereço. Desses entrevistados, a metade tem família e filhos.

Couchsurfing
A prática, que pode ser traduzida, ao pé da letra, como “surfar no sofá”, implica em hospedar-se gratuitamente na casa de moradores de um determinado local. O sofá não é necessariamente o que eles têm a oferecer, muitos disponibilizam camas, colchões e até quartos privativos para os visitantes.

O site mais conhecido de adeptos dessa prática é o www.couchsurfing.org. Para utilizá-lo, basta entrar no endereço eletrônico, criar um perfil online e começar a busca de uma acomodação. Fica mais fácil escolher um lugar bacana ao olhar as recomendações já feitas por outros “coachsurfers” que passaram pelo destino.
“O mais legal do couchsurfing é conviver com pessoas locais, que vão ajudar você a conhecer os lugares que só os moradores da cidade frequentam. A imersão na cultura é muito mais intensa, não se compara a de um turista que vai, fica em um hotel e visita só os pontos turísticos”, diz o mochileiro e fotógrafo Leonardo Maceira, que há cinco meses tem viajado pelo Brasil sem dinheiro na carteira, registrando suas aventuras em sua página do Facebook (https://www.facebook.com/OsLugaresdeCadaUm).
Vale saber que o anfitrião tem todo o direito de não aceitar um pedido de hospedagem feito via couchsurfing. Por isso, é bom sempre ter mais de um “sofá” como opção, antes de programar a sua viagem.

Trocar trabalho por comida e hospedagem
Você pode ter acomodação e refeições gratuitas em outro país se estiver disposto a ceder algumas horas do seu dia para trabalhar em um negócio, que pode ser uma fazenda, uma casa de família, um rancho, alojamento ou albergue. Existem muitos estabelecimentos ao redor do mundo que oferecem, além de comida e um local para dormir, acesso gratuito à internet e a oportunidade de conviver com a comunidade local. Tudo em troca de uma ajuda.

O site HelpX (http://www.helpx.net/) reúne muitos locais ao redor do mundo que aceitam essa prática. Quem recebe os voluntários geralmente exige um compromisso. Na média, são necessárias quatro horas diárias de trabalho para usufruir desses benefícios, mas pode haver variações.
Como regra geral, ao ajudar mais, você tem mais regalias. Por exemplo: quem prefere trabalhar por duas horas diárias talvez só consiga um local para dormir, enquanto quem se coloca à disposição por seis horas diárias poderá ter, além das refeições, um quarto privativo. Muitas das oportunidades são em áreas rurais, por isso, têm mais chances aqueles que incluem no perfil habilidades como saber mexer com plantas e colher frutas, cuidar de animais e andar a cavalo.

Ser voluntário de causas sociais
Essa é uma forma de viajar a custo baixíssimo – geralmente se paga a passagem aérea e o seguro saúde – mas só serve para aquelas pessoas que não querem apenas carimbar o passaporte, mas que estão interessadas em se envolver em grandes projetos humanitários.

“É para quem tem vontade de conhecer o mundo não somente para aprender um idioma e, sim, para desenvolver responsabilidade social”, diz Moira Helena, diretora de intercâmbios sociais para estudantes da Aiesec no Brasil, organização estudantil sem fins lucrativos que, em 2013, levou 1.600 brasileiros para trabalharem como voluntários em outros países.
Para embarcar nos intercâmbios oferecidos pela organização é preciso ter entre 18 e 30 anos e inglês no nível intermediário. Colômbia, Argentina, Índia, Romênia, Hungria, Turquia e Egito são alguns dos países que entram nos programas, com duração de seis a doze semanas. Ao chegar no destino, os voluntários geralmente dão apoio a uma ONG local em áreas diversas, como financeira e comunicação. Em alguns casos, os jovens também podem ser treinados para atuarem como professores temporários de escolas locais.

Viajar com milhas
É verdade que acumular milhas aéreas custa, porque você precisa gastar para obter esse benefício. No entanto, se consegue isso adquirindo itens que iria comprar de qualquer maneira, essa é, sim, uma grande vantagem. Opções de programas de fidelidade não faltam, basta escolher aquele que oferece os melhores benefícios. Uma dica é optar por um programa que possua voos para os destinos que pretende visitar. Assim, é mais fácil se fidelizar. Caso contrário, você terá pontos espalhados por diversos programas, que dificilmente o levarão aonde quer chegar. Outra recomendação é escolher um cartão de crédito que ofereça uma boa troca do valor gasto por pontos e concentrar as compras nele. Por fim, é importante considerar a validade dos pontos e se planejar para conseguir acumular uma boa milhagem antes de ter de resgatar.


Pedir doações em sites
O crowdfunding é uma iniciativa de financiamento coletivo, uma maneira de captar recursos por meio de doações em dinheiro para um projeto específico. A ação já foi utilizada para viabilizar os mais diversos planos e agora também está disponível para quem quer ter sua viagem financiada.

O Trevolta (http://www.trevolta.com/) oferece a oportunidade de você montar o roteiro da sua viagem e, após precisar a quantia de dinheiro necessária para realizá-la, pedir contribuições.
Mas é claro que não é qualquer viagem que consegue patrocinadores. Para um crowdfunding de viagem ser bem-sucedido, é preciso ter diferencial. O “New York to Patagonia… By Ambulance!” (De Nova York à Patagônia… Em uma ambulância), por exemplo, conseguiu levantar US$ 8 mil dos US$ 10 mil pedidos. A proposta era viajar em uma ambulância da Big Apple até a América Latina e, ao fim da rota, doar o veículo para uma organização que presta atendimento de saúde para as comunidades carentes da Colômbia.
Ideias muito boas podem até ser patrocinadas por empresas. Outra opção para viabilizar o seu sonho é oferecer recompensa para os doadores, como cartões-postais do destino, fotografias e lembrancinhas locais.

Jacqueline Moraes

terça-feira, julho 29, 2014

Esporte e conforto nas montanhas

  • Bariloche
A típica cidadezinha de montanha, que abriga a maior estação de esqui da América do Sul, esbanja paisagens naturais, estrutura, charme e badalação. Ao todo, o belíssimo complexo de esqui Cerro Catedral exibe 53 pistas e 39 teleféricos que atendem visitantes com perfis variados. Na alta temporada, cerca de 15 mil turistas circulam pela vila todos os dias. Entre eles, estão desde bem dispostos praticantes dos esportes de neve até os mais preguiçosos, interessados em simplesmente aproveitas um pouco de frio e tudo com direito a sofisticação e boa gastronomia.
 Nesse quesito, a estruturada rede hoteleira do principal destino de inverno argentino não deixa nada a desejar, com destaque para os resorts e chalés cercados por bosques e montanhas cobertas de neve e imensos lagos azuis. Bariloche é uma região versátil e requintada.
  • Valle Nevado
 A 3.025 metros de altitude, incrustado nos Andes chilenos, esse complexo é um destino que atrai esquiadores mais dedicados. De qualquer ponto da região, a imponente cordilheira impressiona, seja em sua face mais intocada (uma sequência de paredões abruptos de neve), ou na estruturada área equeipada com os teleféricos. Por lá, o que não falta é conforto nos hotéis, restaurantes, bares, spa e na maior estaçao de esqui do Chile, com 35 pistas. Outra vantagem é que no máximo 3.300 pessoas podem esquiar ali por dia. Esse controle populacional deixa a neve menos disputada e é uma vantagem e tanto para quem, de fato, pretende melhorar a performance no esqui ou no snowboarding pelos 40 km de pista da estação. Outros interessantes diferenciais desse destino gelado chileno ficam por conta da natureza preservada e a garantia de refúgios tranuilos para quem quer evitar tumultos.

 
       Esqui
  •  Bariloche: No total, são mais de 600 hectares de superfície esquiável em 53 pistas bem-sinalizadas e de diversos níveis de dificuldade, que alcançam dois mil metros de altura sobre o nível do mar. O desnível pode chegar a 970 metros. A escola Mountain prepara os visitantes para esquiar e praticar snowboard. É um destino democrático, em que boa parte dos visitantes é aprendiz, mas que não decepciona os experts, privilegiados com pistas mais desafiantes como a Conexión, bem larga e sem árvores.
  •  Valle Nevado: Os 900 hectares esquiáveis se dividem em 39 pistas como quatro diferentes níveis de dificuldade e catorze teleféricos para subir aos setores exclusivos para prática do esporte, a 3.205 metros sob o nível do mar. O desnível chega a alcançar 810 metros, podendo terminar em áreas fora de pista com excelente neve virgem. Há escolas de esqui para todos os níveis. Valle Nevado é uma sede da Copa do Mundo de Snowboard, única estação esportiva escolhida na América do Sul.

      Outros Passeios
  • Bariloche: Democrática, a vila celebra a diversidade. Mesmo quem não pratica esqui pode se impressionar com o visual dos mirantes e dos teleféricos. Há um bondinho só para pedestres, o Cable Carril. No retorno, além dos esportes de neve, há opções como andar a cavalo nos bosques preservados, encarar expedições 4x4, praticar rafting por corredeiras no rio Manso, caminhar no Parque Nahuel Huapi e até kitesurf no lago.
  •  Valle Nevado: A pedida da "vila-resort" é, de fato, a imersão nos esportes de neve. Além do esqui tradicional, é possível praticar o fora de pista e o heliski, modalidade em que os esquiadores sobem de helicóptero a 4.500 metros (altitude raramente atingida na maioria das estações de esqui) e deslizam por encostas íngremes. Também há opções para apreciar as paisagens geladas em voos de asa-delta e safáris de esqui.
 
     Gastronomia
  • Bariloche: A típica cozinha de montanha é valorizada nos diversos restaurantes que servem desde a irresistível fondue de queijo (La Marmite) a deliciosas trutas pescadas na região (Tarquino). O destaque é a tradição da cozinha patagônica que inclui os defumados - de carnes de caça ou salmão. Uma boa pedida é o Rincón Patagónico, que oferece pratos típicos, como cervo, cordeiro e javali. Para adoçar o paladar, vale seguir até o alto do Cerro Campanario, que ganhou fama pelo seu incomparável chocolate quente, ou explorar as charmosas confeitarias, que oferecem doces de todos os tipos.
  • Valle Nevado: A cozinha do Valle Nevado tem múltiplas nascionalidades. Você pode passar pela Itália (La Trattoria), pela França (La Fourchette d'Or), pela Suiça (Le Montagnard), pelo Japão (Sushi-bar) e terminar o tour no próprio Chile, provando a culinária regional do bufê do El Mesón Chileno. Vale experimentar o peixe congrio, os molhos salgados á base de abacate e os frutos do mar.

Jacqueline Moraes

sábado, março 08, 2014

Conheça o WWOOF


Quer conhecer o mundo mas só pode pagar pela passagem?
Que tal se hospedar gratuitamente por todo o mundo, ter três refeições diárias em troca de trabalhar meio período em contato com a natureza?  O WWOOF proporciona isso.
A  World Wide Opportunities on Organic Farms  (WWOOF) (Rede mundial de oportunidades em Fazendas Orgânicas) começou na Inglaterra nos anos 70, organizando visitas de pessoas com interesse de trabalhar como voluntários em propriedades orgânicas, neste tipo de propriedade rural, são usadas técnicas de cultivo sem agrotóxicos e a biodiversidade da fauna e da flora são preservadas, bem como a culinária e o artesanato tradicional. Em troca do  trabalho, as propriedades oferecem hospedagem e alimentos aos visitantes durante sua estadia. Hoje, WWOOF é uma organização mundial, com mais de 50 países envolvidos e milhares de viajantes e propriedades afiliadas.
 
 
Não só os voluntários saem ganhando com a rede WWOOF. Para Adrian Saegesser, proprietário de uma pousada, a troca de experiência é mútua e, devido ao longo tempo da estadia – geralmente de um a dois meses –, precisa ser rentável para todos. Pensando na sustentabilidade da chácara de de três equitares, com predomínio de mata nativa, Saegesser optou pela diversidade na fonte de renda.
A pousada tem produção própria de geleias orgânicas e oferece reservas para servir o almoço rural vegetariano. A fazenda já recebeu wwofers norte-americanos, australianos, ingleses, alemães, franceses, espanhóis, holandeses, belgas, canadenses, chilenos, bolivianos e hondurenhos. “O mundo vem para cá, portanto, eu não preciso ir para o mundo”, relata Saegesser.

 
 
Assim sendo, cada vez mais viajantes buscam – e encontram – no turismo orgânico a essência de uma vida regada a novas culturas e experiências.
Proprietária junto com o marido de uma fazenda orgânica de médio porte que se encontra na Toscana, Heloisa Barbati começou este ano a fazer parte do WOOF e, a partir de outubro, começarão a receber os primeiros voluntários na colheita de oliveiras.
 
 
Salienta ainda que, a primeira coisa que se lê no site do WWOOF da Itália é que tal trabalho não é sinônimo de férias econômicas, e sim, de uma troca que constitui em aprendizado para ambos, tanto do ponto de vista do trabalho e de experiências, como do ponto de vista cultural. Trabalhar no campo pode ser algo pesado, quer requer uma grande energia, mas que proporciona um contato com a natureza único. Sem falar da grande oportunidade de viver em estreito contato com uma outra cultura.
O casal do blog Green Brick Road  está viajando pelo mundo  participando do  WWOOF no site deles eles  mostram um pouco de cada uma das fazendas e contam como foi a experiência.
Nosso cunhando o querido Tio Léo, fez 6 meses de wwoofing em Portugal, confira os relatos carinhosamente escritos por ele no Blog: http://bobleoo.files.wordpress.com/


 
Se você gostou da ideia  pode   inscrever-se  como membro, afinal, viajar o mundo já não é mais tão difícil: 

quinta-feira, março 06, 2014

Dicas de Camping

 
Errado está aquele que acha que acampar é coisa de maluco! O camping é fortemente indicado para pessoas que buscam tranqülidade e proximidade com a natureza, sejam solteiros, casados, ou qualquer tipo e tamanho de família. Porém, o conforto só está garantido quando alguns pequenos cuidados são tomados. A Nattrip elaborou algumas dicas para cada tipo de acampamento, incluindo sugestões de que equipamentos levar.
 
Para qualquer tipo de acampamento:
Curta seu acampamento com segurança, conforto e educação. As dicas a seguir são dicas gerais, que valem para todo tipo de acampamento, seja ele na praia, na montanha ou na floresta:
  • Ande sempre com uma lanterna. Mesmo que saia para caminhar ainda de dia, leve uma lanterna de emergência. Um dia ela vai te surpreender!
  • Colocar lonas por baixo da barraca causa acúmulo de água e em caso de chuva forte pode piorar a situação. Deixe que a terra absorva a água que está embaixo da barraca naturalmente.
  • Comida do lado de fora é atrativo para animais, ainda que em recipientes fechados. Lembre-se que você não está no seu habitat, mas sim no deles. Não alimente animais selvagens. Guarde toda a comida dentro da barraca e em recipientes bem selados.
  • Nunca acampe nas margens dos rios. Em caso de chuva nos cumes, trombas d'água podem descer rio abaixo e acarretar desastres. Evite qualquer região de vale onde não haja escoamento de água. Em caso de dúvida, monte seu acampamento em locais altos.
  • Evite usar veneno dentro da barraca, principalmente os usados contra insetos. Lembre-se que você passará a noite inteira nela e com pouca ventilação.
  • Nunca deixe uma fogueira acesa e vá dormir. Uma brisa pode espalhar faíscas, que não só podem causar incêndios como podem voar na direção de sua barraca e causar danos na lona da mesma.
  • Em locais remotos, ao fazer suas necessidades, certifique-se de que não está afetando o ambiente que o permeia. Nunca urine, escove os dentes ou use shampoo e sabonetes em rios, pois outras pessoas e animais podem consumir suas águas mais abaixo. Enterre toda a matéria orgânica. Use o máximo de itens biodegradáveis que puder. O que não for, certifique-se de trazer de volta.
  • Você sabe que a água de rios contém grande quantidade de seres microscópicos e um intestino mais sensível poderá sofrer um pouco. Será difícil achar um filtro ou um bebedouro, então uma boa idéia é levar esterilizadores de água, como Hidrosteril ou Clorin. Vendem em qualquer mercado e são muito úteis.
  • Abrir uma simples lata de milho pode se tornar uma dor de cabeça. Lembre-se do seu canivete multi-uso.
  • Não fique com medo de levar pasta de atum só porque ela contém maionese. Escolha uma que seja embalada a vácuo e cuja embalagem seja plástica. Ao abrir, não faça um furo grande, basta cortar a quina da embalagem. Após o uso você pode selar a embalagem com um isqueiro. Certifique-se de que ficou bem selada. Assim sua pasta de atum vai durar alguns dias sem precisar de geladeira.
  • ...e lembre-se de deixar sempre uma garráfa de água dentro da barraca. Sua namorada não vai querer sair sozinha de madrugada para beber água...
O que levar:
  • Mochila:
    • Escolha uma mochila que supra a sua necessidade mais costumeira. O tamanho certo para sua mochila depende do seu tipo de caminhada, mas lembre-se: sentir-se confortável é o mais importante!
    • Utilize sacos estanque para organização interna. Dê preferência aos sacos-estanque mais leves e finos. Sacos plásticos fazem bem o trabalho, desde que você os traga de volta.
    • Tenha sempre uma capa de chuva para proteger sua mochila.
    • Leve alguns mosquetões presos à mochila para prender volumes inesperados. Os "bottons" e "broches" são bons para personalizar e identificar sua mala.
  • Barraca de camping:
    • Use barracas com impermeabilização e dê preferência àquelas que tem lona externa de proteção que vai até o chão. Lonas externas que terminam à meia altura, não evitam que a chuva ao cair no chão empoçado, respingue no revestimento interno.
    • Prefira sempre as barracas mais leves e que ocupam volumes menores ao serem desmontadas e guardadas.
  • Isolantes térmicos:
    • Mesmo nos locais mais quentes, evite dormir em contato direto com o chão. Seria similar a dormir com as costas num piso de mármore. Você pode acordar mal.
    • Colchões infláveis são também isolantes. Caso não se incomode com o peso e com o trabalho de enchê-los, eles são uma ótima opção.
  • Saco de dormir:
    • Um saco de dormir é mais prático, leve e compacto que um cobertor.
    • Casais podem optar por sacos de dormir que se unem, formando um único agasalho para o casal.
    • Na hora de guardar seu saco de dormir, nunca dobre-o na mesma posição todas as vezes. Isto força as fibras do saco de dormir e faz com que ele perca suas propriedades térmicas mais rapidamente. O correto é amassá-lo dentro de sua capa de forma aleatória.
  • Estojo de primeiros socorros
    • Material básico (Ex.: Gaze, Esparadrapo, Atadura, Álcool, etc)
    • Anti-alérgicos
    • Medicação usual para febre, dor muscular, dor de cabeça
    • Medicação de alívio muscular imediato (i.e.: Salompas, Gelol)
  • Material de Higiene
  • Esterilizadores de água (Ex: Hidrosteril, Clorin)
  • Lanterna
    • Lanternas de LED têm maior durabilidade e precisam de menos carga. Isso significa menos pilhas e consequentemente menos peso e poluição. Considere levar lanternas de cabeça, que são muito práticas e mantém suas mãos livres.
    • Lanternas que utilizam energia mecânica são excelentes para viagens longas onde você pode ter problemas com pilhas. Estas lanternas funcionam com um micro-gerador, que é acionado ao se pressionar a lanterna. Não é necessário o uso de pilha.
  • Canivete Multi-Uso
  • Isqueiro

Camping na praia:
Sensações como dormir com o relaxante barulho das ondas e assistir o sol pintar o mar de laranja no fim de tarde realmente são impagáveis, mas se quiser curtir isso tudo com o máximo de conforto, lembre-se:
  • Verifique se nao há formigueiros nem pedras no local onde pretende armar a barraca. Dormir em cima de pedras é muito desconfortável, assim como acordar e ver seu tênis cheio de formigas.
  • O sol nasce no leste. A posição das árvores em relação à barraca é uma maneira de evitar que ela vire um forno durante a manhã e você acorde antes da hora que gostaria. Porém verifique se não existem galhos que possam cair em cima dela quando houver um vento mais forte.
  • Uma ótima idéia é colocar uma canga velha como tapete de entrada da barraca, para assim limpar os pés e não sujar a barraca de areia.
  • Pode-se usar velas de parafina colocadas estrategicamente para iluminar o espaço no entorno da barraca e o caminho até ela. Porém, lembre-se de colocar as velas em buracos feitos na areia, para que o vento não as apague e para que em caso de qualquer esbarrão a areia cubra a vela, apagando o pavio. Tome muito cuidado e evite fazer isso quando estiver com crianças, pois o material das barracas e altamente inflamável.
  • Abrir a porta da barraca ao acordar e ver o lindo mar azul é uma sensação única. Tente posicionar sua barraca de frente para o mar e experimente esta sensação.
  • Escutar o som da natureza é sempre uma diversão, mas para aqueles que gostam de escutar uma música e não tocam violão, levar as caixas de som portáteis do seu MP3 é uma excelente idéia para o fim de tarde na praia.
  • Levar rede portátil. Seus cochilos depois do almoço nunca mais serão os mesmos.
O que levar para o camping na praia:
  • Canga
  • Velas de parafina
  • Caixas de som portáteis do MP3 player
  • Protetor solar
  • Rede portátil



Camping na montanha:
Sentir o vento gelado no rosto, já na companhia da lua, enquanto assiste ao espetáculo crepúsculo do anoitecer. Sentar no chão ainda molhado pelo orvalho da manhã e ver o alaranjado despertar do sol. Essas sensações são tão intensas que nos fazem esquecer da vida. Porém, quando for atrás destas sensações, não esqueça:
  • Juntar folhas secas e formar um tapete por baixo de sua barraca é uma ótima forma de criar um isolante térmico natural e ao mesmo tempo deixar o piso mais macio.
  • Em locais de altitude elevada, o vento pode ser um grande causador de problemas. Pense bem em como fincar sua barraca. Procure locais menos expostos.
  • Caso queira fazer uma fogueira e o local de acampamento permita, tome o cuidado de cercá-la com pedras para que nenhuma brasa role para longe do centro da fogueira. Nunca deixe uma fogueira acesa e vá dormir.
  • Vale a pena levar cartas do local (mapas) e uma bússola, para saber exatamente para onde você está olhando. Ver uma linda paisagem do alto e não saber do que se trata, acaba perdendo a graça.
  • Usar um binóculos para apreciar a paisagem e os animais pode valer a pena.
  • Levar uma vitamina C pode evitar um resfriado inesperado.
 
O que levar para o camping na montanha:
  • Objetos de vestimenta:
    • gorro, luva e tapa-orelhas.
    • anoraque (capa de chuva) ou casaco impermeável.
    • meias de lã por baixo e de algodão por cima.
    • bota de caminhada ou tênis resistente.
  • Cartas do local e bússola.
  • Binóculo.
  • Vitamina C.

Camping na floresta:
Ouvir os pássaros e sentir o aroma da floresta tropical é um privilégio de poucos países no mundo. Por sorte o Brasil é um deles. Ao partir para um acampamento na floresta, lembre-se:
  • Verifique se nao há formigueiros nem pedras no local onde pretende armar a barraca. Dormir em cima de pedras é muito desconfortável, assim como acordar e ver seu tênis cheio de formigas.
  • O sol nasce no leste. A posição das árvores em relação à barraca é uma maneira de evitar que ela vire um forno durante a manhã e você acorde antes da hora que gostaria. Porém verifique se não existem galhos que possam cair em cima dela quando houver um vento mais forte.
  • Leve batatas-doce enroladas em papel laminado. Cozinhe as batatas na brasa e depois coma com um cream cheese tipo polenguinho. É uma delícia. Lembre-se de guardar o papel laminado.
 
O que levar para o camping na floresta:
  • Canga para picnic
  • Batatas-doce enroladas em papel laminado
 

quinta-feira, janeiro 30, 2014

As 12 verdades que ninguém te conta sobre fazer mochilão


1.
Escolha um lugar para ir. Dizem que o mundo é pequeno pra quem viaja, mas se você
não tem nem idéia pra onde vai, o mundo pode ser bem grande.

1.b. Escolha de última hora, convença um daqueles amigos influenciáveis a ir junto dizendo que vai ser a viagem de suas vidas. E é mais ou menos isso aí o real planejamento.

2.
Arrume uma boa mochila, de preferência que tenha barrigueira. Lembre-se que o peso
da mochila é carregado no quadril (e nas pernas) e não nos seus ombros.

2.b .Sua primeira saga vai ser uma merda porque você resolveu economizar na hora de comprar uma mochila. Em vez de comprar uma decente, como as alemãs Deuter, vai preferir uma paraguaia. Na segunda vez vai tirar o escorpião do bolso e entender porque se paga mais de R$900 em uma mochila.

3.
O peso da mochila deve ser de no máximo 1/3 (um terço) do seu peso corporal. Por isso, preste muita atenção no que vai levar. Leve o mínimo necessário para sua aventura.
3.b. Como você é um sedentário e resolveu fazer o mochilão pra entrar em contato com seu lado aventureiro, vai descobrir o significado de uma dor mortal nas costas. Trouxa. Quem mandou desistir da academia.

4.
Ao invés de levar sabonete, shampoo e sabão em pó, pra lavar roupas, substitua tudo isso por uma pequena barra de sabão de coco de boa qualidade. Serve muito bem pra tomar banho e ter roupas limpas.
4.b. Seu cabelo e sua pele vão ficar como a de um sujeito perdido do deserto há 10 dias. Isso porque você esqueceu a porcaria do shampoo e do sabonete que sua namorada/mãe/cuidadora deixou separado debaixo do seu nariz. Quem não tem cão, usa aquele merda de shampoo 2 em 1 gratuito sem nome que os hostels dão de graça. Acostume-se.

5.
Leve uma corda plástica fina, uma tampa de pia, um prendedor de roupas e um canivete. Nunca se sabe quando você vai precisar amarrar sua mochila, encher uma pia para lavar roupas, pendurar seu nécessaire num banheiro sem gancho ou até mesmo secar roupas dentro da barraca;
5.b. Aceite o fato de que vai precisar usar camisetas, shorts, cuecas e meias sujas e/ou úmidas em certo ponto da viagem. Você não tem dotes domésticos no Brasil, quanto mais fora dele, cercado de festas e gringas gostosas por todo lado.

6.
Kit de primeiros socorros! Se você toma remédios específicos nunca se esqueça deles! Acredite, o Sistema Único de Saúde brasileiro é MUITO bom quando comparado com o de outros países.
6.b. Se você não fizer um seguro de saúde e por acaso quebrar o braço ou necessitar de algum remédio específico, se prepare para ligar para o papai choramingando por mais dinheiro. Sua conta bancária será arrombada. Ah, leve bastante engov, neosaldina, dorflex e remédios pra mal-estar estomacal, são itens básicos de sobrevivência na selva internacional. Spray de propólis também, você vai perder a voz e inflamar a garganta em algum ponto entre a quinta e a décima sétima festa.

7.
Se você for de avião/ônibus compre apenas a passagem de ida e volta (se suas férias têm data certa pra acabar). Outras passagens, deixe para comprar quando chegar lá.
7.b. Mate seu bloqueio contra pegar carona com pessoas esquisitas/fedorentas/bizarras. Você vai necessitar da generosidade delas para se deslocar.

8.
Reserve um hotel/pousada no primeiro destino, pois procurar hospedagem depois de várias horas mal dormidas, é desgastante. Mas reserve apenas a primeira noite, para que você não tenha cronograma e se veja obrigado a procurar outros lugares.
8.b. Sim, você vai reservar um quarto misto. Não, você não vai transar com duas nórdicas deliciosas sedentas por sexo na primeira noite. Nem na última.

9.
Se for de carro, trace um esboço da sua rota ideal, mas não se prenda a ela. Durante a viagem você vai receber varias dicas e ideias de locais pra visitar e você não deve estar engessado com datas e horários. A melhor coisa é nunca ter muito planos. Prepare-se pro pior, espere o melhor e aceite o que vier.
9.b. Compre um mapa local, de papel. Ao contrário do que a cultura Zuckerbergriana prega, eles ainda são úteis pra caralho. A porra da web *nunca* vai funcionar quando você precisa.

10.
Vá a bares, restaurantes e eventos freqüentados pelos ‘nativos’ do local. Fuja dos roteiros turísticos. Converse bastante com o pessoal da região, eles serão seus melhores guias para descobrir picos muito doidos e pouco freqüentados.
10.b. Confie em pessoas desconhecidas que estiverem bebendo com você. Elas sabem das coisas.
PS.: Leve seu canivete no bolso, ele pode ser necessário para escapar do cativeiro.

11.
Se você estiver num lugar muito bacana, se divertindo, fique. Fique um dia, dois, dez, as férias inteiras. Lembre-se que você não tem planos e nem objetivos concretos nessa viagem.
11.b. Se sua grana acabar e estiver em um local espetacular com pessoas incríveis, venda algo. Faça sexo por dinheiro. Mas dê um jeito de ficar mais tempo, são esses os momentos que fazem a vida valer a pena.

12.
Aproveite! Tudo! Todo o processo! Um mochilão não é apenas a estrada e a aventura. Os preparativos são muito prazerosos, a aventura e o frio na barriga durante a trip são incríveis e rever as fotos e contar as historias depois é fascinante. Curta! O mundo
virou o seu quintal!

12.b. Sua maior preocupação deve ser se arrepender do que não fez. É virtualmente impossível voltar com ressaca moral de um mochilão. O que acontece em Vegas/Machu Picchu/Europa ou numa sauna GLS na Bratislava, fica por lá.
 

quarta-feira, janeiro 29, 2014

Não namore uma viajante


Não, não namore uma garota que viaja.

Concordo: meninas que viajam não são para namorar. Não são futuro. Não te darão sossego, não te darão segurança alguma, não ligarão para você, não vão querer mudar os planos delas para viver o seu, digo, para viverem juntos os sonhos ambiciosos que qualquer um gostaria de viver.

A menina que viaja não planeja muito. Não está preocupada com a bolha imobiliari...a, com as rugas, com a ausência de batom na bolsa. A pergunta mais feita a ela "e o seu futuro" só faz vir a sua cabeça as palavras "terei muito orgulho do meu agora", mas vai te responder com um "sei lá, depois eu vejo. Uma hora vou ver." E depois de viajar tanto, terá adquirido tantas experiencias que estará a frente, mas muito a frente de alguns mestrados e pos graduados em algumas áreas. E falará alguns outros idiomas. É, alguns no plural.

No momento, trabalho é uma palavra que tem um significado bem diferente pra ela do seu. Ela trabalha não para comprar um carro e ter independência. Ela trabalha para comprar um avião, uma passagem de avião, e ter liberdade. Liberdade para chegar e ir embora quando convir, mudar tudo, ou o oposto, manter tudo que quiser quando se sentir feliz de verdade ali. Se der errado, sem dramas ela vai embora. Dirá para pessoas incrédulas, achando que ela se encontra num estado infantil de idealizaçao de um mundo tao bom, que nao é possivel para as pessoas convencionais: "se der errado, eu recomeço. já fiz isso, dá certo." Como ficar ao lado de alguém que se recusa a entrar numa compra de um apartamento na planta contigo por nao querer se arriscar assim e de repente, ela diz que viajará no proximo mês por alguns meses pra india sozinha? SOZINHA!

Entender a lógica dela é bem complicado. É intensa, linda e apaixonada que parece sair de um filme, mas um coração gelado com o que você pensa dela, nem parece fazer questão alguma da ter você só para ela. Não fuça seu celular, não faz bico porque voce deu carona para a menina que trabalha contigo, nao entende porque voce faz careta quando ela diz que irá apresentar a cidade para o amigo gringo dela. Mas aí ela faz aquele elogio de coisa que só a sua mãe fala do tipo "ah, mas que lindo que você sorri com o olho" e vai dizer que voce fica uma coisa de louco com seu allstar de estimaçao mais surrado que sua ex, elegante e super bem encaminhada para uma carreira de sucesso, tinha um ataque a cada vez que você tinha a intençao de levá-la para jantar usando eles. Que jogo baixo!

Você trabalha a semana inteira pesadamente, por anos junta dinheiro e vai comprando aos poucos móveis confortaveis e lindos, e a ingrata vai dizer "tá faltando uma rede aqui...". Quanto desdém com seu sofá ortopédico feito sob medida! Vai querer ficar na varanda, e ignorar sua televisão de alta definição, vai querer ir pra serra no final de semana, e nem é pra ficar num hotel desses feito com o ultimo conceito da arquitetura, é pra se enfiar no meio do mato até alcançar um ponto alto e dizer o quão fresco é o vento lá. E seu ar-condicionado? E sua wifi que poderia te mostrar aquela mesma vista pelo computador, sem precisar escalar aqueles pedregulhos todos? E pior que quando voltarem, no seu "camaro amarelo" totalmente empoeirado por ela ter te pego de surpresa e mandado você virar numa estradinha de chao horrivel, ela vai comentar que a noite mais linda dela foi dormindo numa pedra ao lado de uma cachoeira em Sumatra. Bem em cima da sua king size.

Se voce levá-la a uma festa, verá entre os saltos, cintos de metal e cabelos escovados com luzes, uma rasteirinha com uma blusa dizendo "I Tokyo" e um cabelão um pouco arrepiado até quase o meio das costas. Verá as meninas perguntando o nome daquele e do outro lugar, e a rodinha de pessoas querendo "conselhos para a viagem das próximas férias". só crescendo. Se você nao for bom de controlar ciumes e coisas assim... alias, se voce for ciumento, aí meu amigo, fuja como o diabo da cruz de uma garota que viaja. Ela atrai muita gente sem ser por causa do emprego bom, da grana, da roupa bacana, do cabelo lindo e maquiagem impecavel e essas coisas que a chuva leva embora.

Ela assiste tv. Para por horas em programas de culinária exótica, expedições pelo mundo e documentários de Surf em ilhas tropicais. Desliga assim que começa "resorts 7 estrelas". Não entende e nem se interessa por carros, a menos que seja um motorhome ou uma kombi adaptada. Vai falar de muitas coisas com pessoas que nao estao na tv, ou no jornal, ou nos bares, ou nas festas, ou nas rádios... vai falar de muita coisa fora disso, uma quantidade que você jamais saberia que poderia existir. Vai te deixar em silêncio, olhando para o horizonte, caso encontre alguém falando disso também. Ficará em silêncio quando você comentar com seus amigos aos risos da garota desleixada que nao vai na academia, e arruma um modo muito suspeito de viajar para os lugares "de carona por pessoas, com certeza somente homens, que devem ter muito 'prazer' em ajudar". Vai levantar os olhos ao ver você discursando sobre os conflitos sociais da turquia e dirá "você já esteve lá"? Tente uma estratégia diferente de "vi na carta capital".

Ela anda demais, se move demais, é avoada demais. Pensa que não vai envelhecer, e quer viver tudo agora. Pensa que a vida é assim. Não consegue ver férias como férias, como a vida de verdade. Insiste em dizer que é estilo de vida, e que pode viver esse sonho para sempre. As pessoas precisam comprar coisas, precisam ter uma carreira, precisam viver a realidade, e a realidade não é linda como as montanhas com neve, nem feliz como festival de música. Ela diz absurdos como os de que alguém pode realmente ser excepcional em sua área sem anos de estudos sérios em universidades. Vai enlouquecer seus pais, tementes a Deus, vivendo uma confortavel aposentadoria (ou quase lá) com papos de hinduismo, vida nomade e a felicidade no meio do mar.

Talvez você nem vá tao longe com ela, talvez nem chegue perto. É dificil colocar em palavras, mas talvez esse seja o tal do "feminismo exagerado". Ela diz que nao precisa de familia, que está muito bem solteira, que nao sonha com um vestido branco, uma casa bonita e um marido ao seu lado, a ajudando para tudo que ela nao seja capaz de fazer, como consertar o encanamento, tomas todas as decisões da vida dela por ela mesmo. Mesmo as grandes amigas de infancia e a familia nao entendendo porque ela afasta garotos que seriam tao bons maridos, pessoas para o resto de suas vidas, quando sua juventude se for e o interesse dela pelo mundo desaparecer junto. Ela precisa de alguém, ela precisa acordar, e ver que está vivendo essa fase adolescente que todos nós já vivemos e superamos. Ela precisa ser como todos para ser feliz, nao desperdice seu tempo tentando trazê-la para a normalidade. Ela vai acordar um dia, esperamos que antes da 3a idade, e dizer "eu nao deveria ter viajado tanto. Deveria ter trabalhado mais e assim todos os meus descendentes poderao usufruir do meu trabalho e sacraficio de uma vida inteira."

E não vai acreditar quando ela te trocar pelo "alternativozinho" que vai buscar ela de bicicleta.

Dá saudade dela chegando na sua casa de mochila e vestidinho de flor, dá vontade de dar uma de louco de vez em quando no meio do transito engarrafado de todo o dia, e "ouvir a minha voz interna". Mas a comida tem que vir de algum lugar, e nao estudei a vida toda para virar garçon em Jericoacoara. A profissão não me faz feliz, mas quem disse trabalho é diversao? É pra ganhar dinheiro, me alimentar, me divertir na medida do possivel, e voltar para fazer mais. Ela arrisca demais, tem sorte demais, por tanto tempo as coisas dando certo como mágica... mas um dia essa sorte acaba, e o sonho acabará. Tenho fé!

É fácil gostar da leveza de uma pessoa de uma vida de sonhos. É dificil acreditar nessa vida. Não dá pra acreditar nessa coisa de sorte, cosmos, energia, sei lá. Nao dá pra deitar na cama e pensar que ela pode estar em alguma parte do globo, andando sozinha, uma mulher tao bonita... nao dá pra esquecer uma menina lindinha, que riu do meu papo de "tá muito calor, eu queria, sem ofensa, te convidar para um lugar mais fresco" me deu um beijo, e me arrastou pra beira da praia, e me convidou para acampar na ilha grande no proximo final de semana. É responsabilidade demais levar nas costas tantas comparaçoes que ela pode fazer de voce com os demais caras do mundo. Segurança desse tipo para as mulheres nao as tornam boas moças de família, requerem uma constante reconquista, pois essas sabem muitos caminhos para a saída, caso nao estejam satisfeitas.

"um horizonte cambaleante" é o lema dela. O que para muitos é um desespero, para ela é a graça da vida. Acordar e ir a luta, pegar a estrada, pegar a trilha, ter uma atraçao cafona pelo céu, andar, voar, navegar quilometros para reencontrar um lugar que a fez muito feliz, para reencontrar alguem que a fez muito feliz. Vai embora, e voce a verá por fotos na internet com paisagens de cartoes postais, sorrindo, provavelmente nao lembrando de voce. Aí voce recebe uma mensagem após comentar na foto "que bom que viu essa foto, lembrei de voce tanto quando estava lá". Talvez essa pessoa tenha coraçao, mas nao sofre por nao me ter mais ao lado dela, logo, nao pode ser amor de verdade.

Garota que viaja, torcemos para que seja feliz, porém não dá. Não estamos prontos para amar alguém que ao invés de criar raizes, cria asas.